Controle e erradicação de espécies exóticas invasoras

A invasão por espécies vegetais exóticas é uma das principais ameaças à integridade de unidades de conservação. Ao competir por luz, solo e água, essas plantas reduzem a diversidade nativa, alteram processos ecológicos e comprometem a recuperação natural de áreas degradadas. Por isso, serviços técnicos de diagnóstico, controle de espécies exóticas invasoras e erradicação de exóticas são essenciais para preservar valores ambientais e garantir a conformidade de intervenções em áreas sensíveis.

Por que controlar espécies exóticas invasoras? 

A presença de plantas exóticas compromete a estrutura e a função dos ecossistemas: competem por recursos, alteram regimes hidrológicos e impulsionam a perda de diversidade nativa. Em faixas de servidão e acessos, como as que cruzam unidades de conservação, a presença de exóticas aumenta o risco de dispersão para matrizes florestais adjacentes. O manejo técnico e o monitoramento de espécies invasoras reduzem a probabilidade de estabelecimento massivo, protegem corredores ecológicos e minimizam custos futuros de restauração. A atuação preventiva e sistemática é geralmente mais eficaz e econômica do que ações pontuais e reativas.

Metodologia aplicada pela Geotrópicos 

Nas campanhas realizadas pela Geotrópicos na variante da LT Itaberá–Tijuco Preto 2 (14,7 km), dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, aplicamos diagnóstico, intervenções e monitoramento sistemático para reduzir a presença de espécies-alvo e gerar dados que orientem ações de erradicação de exóticas no longo prazo. A abordagem combina:

Diagnóstico e mapeamento georreferenciado

Foram estabelecidos pontos amostrais ao longo da faixa de servidão para avaliar ocorrência e priorizar intervenções. Os registros georreferenciados permitem identificar áreas críticas e planejar ações trimestrais de controle.

Técnicas de intervenção: anelamento, remoção manual e monitoramento

As técnicas aplicadas incluem:

  • Anelamento de indivíduos lenhosos (ex.: Pinus), para controle de árvores em pé quando adequado;
  • Remoção manual / arranquio de rizomas e maciços (ex.: Hedychium coronarium — lírio-do-brejo);
  • Remoção de regenerantes e limpeza de pontos com maior potencial de reespalhamento.

Cada técnica é selecionada conforme o porte, a fenologia e a forma de propagação da espécie, sempre com critérios técnicos para reduzir riscos e preservar a estruturação natural.

Procedimentos de resgate de fauna e gestão de resíduos

Durante as intervenções, foram aplicados protocolos para resgate/afugentamento de fauna quando necessário e para a gestão adequada do material vegetal removido, minimizando a chance de reintrodução por fragmentos.

Resultados práticos das duas primeiras campanhas

As primeiras campanhas forneceram indicadores operacionais e apontamentos sobre eficácia das técnicas empregadas.

1ª campanha (08–10 jul/2024) — levantamentos e intervenções

  • 110 pontos amostrais avaliados;
  • Principais espécies registradas: Hedychium coronarium (lírio-do-brejo) — 35 pontos; Pinus sp. — 25 pontos;
  • Ações: anelamento em 24 indivíduos de Pinus; remoção de 1 regenerante; 48 pontos sem ocorrência de espécies-alvo.

2ª campanha (04–09 nov/2024) — monitoramento e controle manual

  • 27 pontos monitorados, com foco em intervenções anteriores;
  • O anelamento em Pinus ainda não apresentou, até a data do monitoramento, os sinais esperados de mortalidade;
  • O controle manual do lírio-do-brejo mostrou resultados satisfatórios em áreas tratadas, com 0,102 ha intervencionados em maciços de Hedychium;
  • Os achados evidenciam a necessidade de monitoramento contínuo para avaliar e ajustar técnicas.

Desafios e recomendações para controle contínuo

As técnicas de anelamento, arranquio e remoção de regenerantes são adequadas quando aplicadas com critério. Entretanto, cada espécie impõe desafios específicos:

  • Hedychium coronarium reproduz vegetativamente por rizomas e fragmentos que podem ser dispersos pela água — portanto, o arranquio completo e o manejo rigoroso de resíduos são fundamentais;
  • Pinus pode exigir complementação às técnicas de anelamento (ex.: raqueamento ou aplicação localizada de herbicida) para garantir mortalidade em pé, dependendo do porte;
  • Recomenda-se manter o monitoramento trimestral, realizar testes controlados de técnicas complementares onde necessário e capacitar permanentemente as equipes para priorização de pontos críticos.

Benefícios para a conservação

A prestação de serviços de controle de exóticas por equipe técnica oferece:

  • Proteção da biodiversidade local, favorecendo espécies nativas;
  • Mitigação do risco de propagação de exóticas de faixas de servidão para áreas protegidas;
  • Geração de dados georreferenciados que orientam priorização e otimização de recursos em futuras intervenções. 

Conclusão e próximos passos

As duas primeiras campanhas da Geotrópicos no Parque Estadual da Serra do Mar demonstram avanços concretos no controle de espécies exóticas invasoras, especialmente no manejo do lírio-do-brejo. No entanto, a eficácia de técnicas como o anelamento de Pinus requer monitoramento contínuo e, em alguns casos, complementação metodológica. As campanhas futuras deverão consolidar evidências de eficácia e permitir o refinamento de protocolos operacionais para alcançar resultados duradouros.

Se sua organização precisa de diagnóstico, plano e execução para controle e erradicação de espécies exóticas, a Geotrópicos oferece serviços técnicos completos de gestão florestal e monitoramento. Entre em contato para uma avaliação.

Sobre o autor:

Polyana Matozinhos

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