Eventos naturais extremos: a urgência climática que exige ação

A seca recorde no Norte e as enchentes no Sul do Brasil são alertas das  mudanças climáticas, exigindo ações imediatas para  mitigar seus impactos.

Em 2023, o Norte e o Nordeste do Brasil enfrentaram uma seca recorde, enquanto, no  início de 2024, a região Sul foi assolada por chuvas intensas que resultaram em  enchentes devastadoras, particularmente no Rio Grande do Sul. Esses eventos  extremos são manifestações das mudanças climáticas que o país e o mundo  enfrentam, exigindo respostas rápidas e eficazes de governos, empresas e da sociedade.

 

A grande seca

O Nordeste brasileiro, como já sabemos, é historicamente uma região vulnerável à  seca, mas o fenômeno de 2023 se destacou pela sua severidade, duração e aumento do  local de seca até a região Norte, uma região conhecidamente úmida e que normalmente  tem chuvas em abundância. Tal evento reduziu o volume dos rios para níveis mínimos em mais de 120 anos de medição, segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e  Inovação. Milhares de famílias enfrentam escassez de água potável e perdas  significativas na agricultura e pecuária. As cidades ficaram à mercê de racionamentos  rigorosos, e o impacto econômico foi profundo.

 

As enchentes no Rio Grande do Sul

Por outro lado, o ano de 2024 iniciou com a situação extremamente inversa no Sul do  Brasil, onde o Rio Grande do Sul sofreu com chuvas torrenciais que causaram  enchentes severas. Cidades inteiras ficaram submersas, milhares de pessoas foram  deslocadas e a infraestrutura foi gravemente danificada. Os impactos das inundações  causaram danos em 473 dos 497 municípios gaúchos, ou seja, 95,17% do total, de acordo com a Agência Brasil.

As enchentes causaram deslizamentos de terra, destruíram casas e levaram à perda de  vidas e de propriedades, soma-se a essa tragédia a interrupção da atividade  econômica devido à destruição de infraestrutura e a necessidade de reconstrução  representam um grande ônus financeiro para o estado.

 

Urgência climática

Os eventos climáticos extremos vividos no Brasil são parte de um padrão global de  mudanças climáticas que afetam todas as regiões do planeta. A frequência e a  intensidade desses eventos estão aumentando, colocando em risco vidas, economias e  ecossistemas.

 

O papel dos Governos

Os governos podem e devem investir em políticas públicas, implementando ações  robustas que promovam a sustentabilidade ambiental, incentivem a economia de água e  energia, e principalmente, preparem a infraestrutura para eventos climáticos extremos. 

O investimento em infraestrutura deve ser realizado de forma precisa com apoio de especialistas a fim de as cidades suportarem grandes secas e enchentes torrenciais,  como as vividas pelo Rio Grande do Sul em 2024. 

Exemplos de ações que Governos podem adotar:

Incentivar o uso de energias renováveis: Investir e subsidiar energia solar,  eólica, hidrelétrica e outras fontes de energia limpa. 

Promover a eficiência energética: Implementar normas e regulamentos que  incentivem a eficiência energética em edifícios, indústrias e transportes. 

Restaurar ecossistemas naturais: Implementar programas de reflorestamento e  restauração de manguezais e outros habitats naturais. 

Melhorar a gestão de resíduos: Promover a reciclagem, compostagem e a  redução do desperdício, além de regulamentar o tratamento adequado de resíduos  industriais. 

Implementar políticas de transporte sustentável: Investir em transporte público,  infraestrutura para bicicletas e veículos elétricos. 

Desenvolver infraestrutura resiliente ao clima: Construir e modernizar  infraestruturas para resistir a eventos climáticos extremos, como enchentes e  secas. 

Regular a emissão de gases de efeito estufa: Estabelecer limites e criar  sistemas de comércio de emissões de carbono para reduzir a pegada de carbono. 

Educar e conscientizar a população: Implementar programas educativos para  aumentar a conscientização sobre mudanças climáticas e incentivar práticas  sustentáveis. 

Incentivar a agricultura sustentável: Apoiar práticas agrícolas que conservem  recursos naturais e reduzam a emissão de gases de efeito estufa.

 

Empresas

A responsabilidade corporativa também deve ser cobrada pela sociedade, uma vez que  grandes empresas também participam no aumento de eventos climáticos

Exemplos de ações que as empresas podem adotar:

Implementar práticas de produção sustentável: Reduzir o uso de recursos  naturais, minimizar desperdícios, reciclar materiais e adotar tecnologias limpas em  seus processos produtivos. 

Incentivar a economia circular: Desenvolver produtos com ciclos de vida mais  longos, promover a reutilização e a reciclagem de produtos e materiais e reduzir a  geração de resíduos.

Investir em inovação e tecnologia verde: Apoiar o desenvolvimento e a  implementação de tecnologias que reduzam o impacto ambiental, como sistemas de captura e armazenamento de carbono, e soluções de energia limpa. 

Promover a sustentabilidade na cadeia de suprimentos: Trabalhar com  fornecedores para garantir práticas sustentáveis ao longo de toda a cadeia de  suprimentos, desde a produção de matérias-primas até a entrega final ao  consumidor.

 

Os desafios das mudanças climáticas

A seca recorde no Nordeste em 2023 e as enchentes no Sul em 2024 são alertas sobre a realidade das mudanças climáticas. Enfrentar esses desafios urgentes requer um  esforço conjunto de governos, empresas e sociedade, para pensar as cidades num futuro desafiador. Com políticas adequadas,  investimentos estratégicos e uma conscientização crescente, é possível mitigar os impactos desses eventos extremos e construir um futuro mais resiliente e sustentável para todos.

Sobre o autor:

Polyana Matozinhos

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