Em julho de 2025, a ONU divulgou o décimo balanço anual sobre o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Faltando apenas cinco anos para o prazo da Agenda 2030, o diagnóstico é preocupante: apenas 35% das metas estão em progresso adequado, quase metade avança lentamente e 18% retrocederam em relação a 2015.
No campo ambiental, os resultados são especialmente críticos. Apesar de avanços pontuais, o ritmo atual está muito distante do necessário para enfrentar a crise climática, proteger a biodiversidade e garantir o uso sustentável dos recursos naturais.
ODS 6 – Água potável e saneamento
O acesso à água limpa e ao saneamento básico é essencial para a saúde humana e dos ecossistemas. Nos últimos anos, houve expansão da cobertura, mas 2,2 bilhões de pessoas ainda não têm acesso seguro à água potável e 3,5 bilhões carecem de saneamento adequado. A universalização até 2030 exige investimentos robustos em infraestrutura e gestão integrada de recursos hídricos, sobretudo em áreas urbanas em rápida expansão.
ODS 7 – Energia limpa e acessível
A transição energética mostra sinais de avanço. Em 2023, 92% da população mundial tinha acesso à eletricidade, e as energias renováveis foram as que mais cresceram globalmente. Contudo, 675 milhões de pessoas ainda vivem sem eletricidade e 2,3 bilhões dependem de combustíveis poluentes para cozinhar. Expandir o acesso à energia limpa é central para reduzir emissões e melhorar a qualidade de vida.
ODS 12 – Consumo e produção responsáveis
O padrão de consumo global continua insustentável. Desde 1970, o uso de recursos naturais triplicou e segue crescendo rapidamente. Apesar de alguns avanços na economia circular, a geração de resíduos e as emissões associadas permanecem acima da capacidade de regeneração do planeta. Ou seja, dissociar crescimento econômico de degradação ambiental ainda é um desafio distante.
ODS 13 – Ação contra a mudança climática
O clima é o ponto mais crítico do relatório. 2024 foi o ano mais quente já registrado, ultrapassando o limite de 1,5°C acima da era pré-industrial.
As emissões de CO₂ seguem em níveis recordes, intensificando eventos extremos como secas, enchentes e crises alimentares. Apesar do aumento nos compromissos climáticos, os esforços atuais ainda não são suficientes para cumprir o Acordo de Paris.
ODS 14 – Vida na água
Os oceanos continuam sob forte pressão. A poluição plástica e a acidificação seguem em crescimento, comprometendo a biodiversidade marinha.
Embora as áreas marinhas protegidas tenham dobrado desde 2010, muitas carecem de fiscalização e manejo eficaz. Sem políticas integradas de conservação, a meta de proteção oceânica está em risco.
ODS 15 – Vida terrestre
A degradação dos solos, o desmatamento e a perda de biodiversidade permanecem como grandes ameaças. O mundo ainda perde cerca de 10 milhões de hectares de floresta por ano. A expansão agrícola, a mineração e a urbanização são os principais vetores de pressão. Por outro lado, programas de restauração ajudaram a dobrar a área de ecossistemas críticos protegidos desde 2010.
Um chamado à ação coletiva
O relatório reforça que o progresso é possível quando políticas públicas eficazes, financiamento e participação social se alinham. Exemplos como a eliminação de doenças tropicais negligenciadas em 54 países e o acesso universal à eletricidade em 45 países mostram que acelerar resultados é viável.
A ONU aponta seis áreas prioritárias para transformação: sistemas alimentares, energia, digitalização, educação, empregos e proteção social, além de clima e biodiversidade. Todas dialogam diretamente com as metas ambientais e reforçam a interdependência entre desenvolvimento humano e preservação da natureza.
Conclusão
Com cinco anos até 2030, o Relatório ODS 2025 deixa claro que a humanidade enfrenta um momento decisivo. Ou seja, o sucesso da Agenda 2030 dependerá da capacidade de governos, empresas e sociedade civil de transformar compromissos em ações concretas.
As metas ambientais não são apenas uma questão ecológica: elas estão no centro da sobrevivência e da qualidade de vida das próximas gerações. Como destacou António Guterres, secretário-geral da ONU, estamos diante de uma emergência global de desenvolvimento. Agir agora é mais do que um compromisso político, é uma questão de sobrevivência coletiva.
Fontes: Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2025 | Nações Unidas Brasil

